terça-feira, 27 de setembro de 2011

O Transtorno Jaconiano

imageTranstorno é uma palavra que define uma contrariedade comportamental, uma decepção, sinalizado sempre por atitudes atípicas de cunho neuropsicológico. No âmbito psiquiátrico, existem diversos transtornos, todos tem em comum o alto nível de ansiedade. Toscamente falando, o transtorno é um estado emocional caracterizado pela expectativa e apreensão de que algo ruim possa acontecer gerando uma comorbidade de sintomas fisiológicos e mentais avassaladores.
Sintomas de transtorno
Todos os que são acometidos por transtornos de ordem psicológicas tendem a sintomatizar doenças que inexistem, as quais invariavelmente só são “reais” na sua mente vitima das próprias incongruências neurais. Pode-se tomar como exemplo o transtorno de pânico, quando alguém sem motivo aparente passa a ter palpitações, taquicardia, sensação de instabilidade, tontura, desmaio, medo profundo de estar tendo um ataque cardíaco, invariavelmente sente calafrios ou ondas de calor...
Na maioria das vezes por desconhecer o problema, se busca solução no plano meramente físico, daí se consultar cardiologistas, clínicos e demais profissionais que cuidam das patologias intrinsecamente corporais, buscando a solução no físico, quando se deveria atentar para o mental, pois é no campo da subjetividade neuropsicológica que se encontra tanto a raiz do problema quanto sua solução.
Geralmente o paciente com algum tipo de transtorno de ansiedade necessita tomar ansiolíticos, antidepressivos e congeneres, de forma concomitante, deve ser assistido por um psicólogo que o ajudará a vencer os seu medos.
Por que transtorno Jaconiano?
O célebre Jacó era de uma família de promessas, seu avó Abraão havia sido escolhido e chamado por Deus quando estava em Harã (Gn.11.31,32; Gn. 12. 1-3), depois recebeu a ratificação do que lhe fora prometido quando o próprio Deus se responsabilizou pelo cumprimento da aliança com ele.
Nesse tipo de pacto, o comum era as partes interessadas oferecerem os sacrifícios pondo os animais em duas linhas distintas, de modo que os pactuantes passassem no meio, simbolizando a responsabilidade de cada um ( Jr.34. 18-20), se caso não fosse cumprida a aliança as partes arcariam com o pecado cometido e suas consequências, já que o pacto havia sido feito na presença de Deus.
No caso de Abraão a aliança havia sido feita com ele e sua descendência ( Gn.15.18), confirmando tal assertiva, foi Deus que passou no meio das metades ( Gn.15.17), pois a tocha de fogo era uma representação clara da presença de Deus. Isaque é o primeiro grande fruto deste pacto firmado por Deus ( Gn.17. 4-8 ; Gn. 17. 19 e 21). Conforme o pacto de Deus com Abraão e não de Abraão com Deus, a consecução e cumprimento deste era inexoravelmente responsabilidade do Senhor, o qual não pode ter nenhum dos seus planos frustrados ( Jó. 42.2, Is.43.13).
Jacó como descendência de Abraão invariavelmente fazia parte desse projeto Divino, Paulo falando sobre seu nascimento diz : “ ...mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú” ( Rm.9.10-13).
Além de possuir em suas veias o sangue pactual, quando da ocasião do seu nascimento sua mãe Rebeca ouviu de Deus a promessa já antes feita a Abraão, de que o seu filho mais novo é que seria o herdeiro daquilo que o Senhor havia prometido. Jacó fazia parte da linhagem da aliança Abraâmica, era o herdeiro legítimo das promessas, porém não as conseguia enxergar por fé, que é o modo legítimo de se obter as coisas dos céus ( Hb.11.1; Hb. 11.27; Jo.20.29).
O transtorno na vida de Jacó
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Sem ter visão espiritual para alcançar, por fé, o que já era seu – pois a escritura afirma que o Senhor é fiel em todas as suas promessas (Nm.23. 19, II Tm.2.13), como também diz: “Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós.” ( II Co. 1.20) – é que Jacó quis garantir desde o início sua herança através dos seus próprios esforços.
O primeiro passo equivocado foi “comprar” sua primogenitura (Gn. 25. 29-34), “comprou” o que era seu por direito e decreto Divino: “ Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor” (Gn.21.23). Para Deus Jacó era o primogênito, com todas as prerrogativas que a primogenitura lhe conferia (Ex.22.29; Dt. 21.17).
O segundo equívoco de Jacó aclara fortemente a horizontalidade da sua fé e sua visão embaçada pelo transtorno que o acometia, só concebendo as coisas de Deus sob uma perspectiva humana e egoística. Seguindo esse prisma, ele mancomunado com sua mãe, que por sua vez demonstra ter visão igual ou similar a do seu pupilo, vai agora dar a cartada final no que entende ser a conquista da benção de Deus. image
Travestido de Esaú engana o velho Isaque : “Depois tomou Rebeca os vestidos de gala de Esaú, seu filho mais velho, que tinha consigo em casa, e vestiu a Jacó, seu filho menor; E com as peles dos cabritos cobriu as suas mãos e a lisura do seu pescoço; E deu o guisado saboroso e o pão que tinha preparado, na mão de Jacó seu filho. E foi ele a seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui; quem és tu, meu filho? E Jacó disse a seu pai: Eu sou Esaú, teu primogênito; tenho feito como me disseste; levanta-te agora, assenta-te e come da minha caça, para que a tua alma me abençoe” (Gn.27.15-19).
Há duas observações a serem feitas neste episódio, no que se refere as consequências do engano: Jacó se torna alvo da ira do seu irmão, que irá persegui-lo para tentar ceifar sua vida; Rebeca por sua vez nunca mais verá o rosto do seu caçula (Gn.27.41; Gn.27.42-45).
Vê-se claramente aqui que o míope espiritual Jacó ao querer adquirir o que já era seu por direito, só conseguiu colher desventuras das suas obras, as quais nem legalistas podiam ser consideradas, devido ao teor espúrio dos seus métodos; quando a exemplo do seu pai Isaque, poderia desfrutá-las de forma passiva, apenas crendo no que o Senhor prometera.
Em meio a fuga da ira do seu irmão, Deus lhe fala em sonho e ratifica suas promessas: “E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: “Eu sou o SENHOR Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência; E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra; E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado” (Gn.28.13-15).
Ainda assim, Jacó não consegue ver a realidade das promessas do Deus de Abraão e Isaque em sua vida, isso fica patente em sua fala logo depois que acorda do sonho: “E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; E eu em paz tornar à casa de meu pai, o SENHOR me será por Deus; E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo”(Gn.28.20-22).
Nota-se claramente aqui o caráter materialista, egoísta e incrédulo de Jacó; materialista pois só pensava em obter, egoísta pois só pensava em si próprio, era um ególatra, e incrédulo, pois só conseguia acreditar naquilo que lhe fosse palpável e visível. Definitivamente Jacó não era um homem de fé.
Ele acaba de ouvir uma confirmação das promessas feitas aos seus ancestrais, entretanto, em sua mente embotada pelo materialismo cético só seria real para ele o “deus” que se mostrasse conivente e obediente aos seus caprichos mais inusitados.
Como se pode depreender de sua fala, até então não sabia, não percebia, e nem acreditava que Deus estava com ele, não cria na proteção Divina derivada das promessas Abraâmicas e Isaquianas, não confiava que o Senhor do pacto era um Deus providente, e o mais assombroso, o Senhor nem mesmo era o seu Deus. Seguindo esse ideário, o “deus” que satisfizesse a todos os seus anseios receberia em troca sua fidelidade, representada pela entrega dos seus dízimos.
O ápice do transtorno Jaconiano
imageNo momento mais crucial da sua vida, quando sabe que irá ficar frente a frente com seu irmão Esaú, Jacó toma antes certas providências, dentre elas, pôr sua família a salvo da possível ira do seu vingativo mano. Essa é mais uma prova da sua total falta de confiança no Deus que havia lhe prometido guardar de todo o mal.
Quando se encontra só, surge então um homem que vem para lutar com ele, a escritura não fala qual a razão do anjo ter sido enviado para lutar com Jacó, entretanto, é explicitado o motivo de Jacó não deixar o enviado de Deus partir : Ele queria a benção. Aqui observa-se o auge do transtorno Jaconiano, um homem abençoado por Deus, tinha promessas que haviam sido dadas a seu avô, ao seu pai, a sua mãe, e por fim a ele mesmo, e de forma clara e indubitável, era próspero materialmente falando, todavia, outra vez ele quer alcançar os benefícios de Deus por seus próprios méritos.
O anjo lhe dá uma palavra de benção, porém, como tal ato foi totalmente contrário a vontade Divina, Jacó sai desse encontro com um defeito físico, que nesse caso retratava a sua falta de saúde espiritual. Na sua transtornada visão das coisas de Deus, sempre prevalecia a ideia de que para receber algo de Deus era necessário “pagar” antes, mesmo se tais promessas houvessem tido o seu cumprimento garantido pelo Deus todo-poderoso.
Por atitudes como essas, a vida de Jacó torna-se uma vida da qual lamentará de modo frustrado dizendo: “... poucos e maus foram os anos da minha vida e não chegaram aos dias dos anos da vida dos meus pais...” ( Gn. 47. 9).
O transtorno Jaconiano hoje: A falta de discernimento
Assim como Jacó tinha promessas baseadas em um concerto de Deus com sua família, também os cristãos hoje tem promessas, e bem melhores que as promessas patriarcais: “ Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas” (Hb.8.6).
Infelizmente a Igreja tem sido acometida pelo transtorno Jaconiano: Vive correndo atrás daquilo que já possui em Cristo.
O grande problema enfrentado pela Igreja hoje é a miscelânea que é feita entre o Antigo e o Novo ?Testamento, entre o pacto com os judeus e o novo pacto para os gentios. Para que se compreenda a importância e alcance deste novo concerto, é necessário se observar este assunto sob a perspectiva da morada de Deus. Qual o lugar da habitação de Deus hoje na Nova Aliança? Para que se chegue a uma conclusão plausível se faz necessário uma abordagem bíblica-histórica do desenvolvimento da ideia de templo como “morada de Deus”.
O templo de pedra como casa de Deus
No pensamento do crente do Antigo Concerto o lugar físico da habitação de Deus é o templo de Jerusalém : “Mas o SENHOR está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Hc. 2.20). “ Desde o primeiro dia do sétimo mês começaram a oferecer holocaustos ao SENHOR; porém ainda não estavam postos os fundamentos do templo do SENHOR”(Ed 3.6).
Também é esse lugar que fica cheio da glória de Deus: “E sucedeu que, saindo os sacerdotes do santuário, uma nuvem encheu a casa do SENHOR” (I Rs.8.10). “ E os sacerdotes não podiam permanecer em pé, para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do SENHOR encheu a casa de Deus” (II.Cr. 5.14).
Deus em sua inenarrável graça proveu um templo melhor, Jesus, para que o homem experimentasse da sua glória sem que dela precisasse fugir : “ sendo ele ( Jesus) o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser” ( Hb.1.3).
Moisés profetiza a esse respeito: “ E porei o meu tabernáculo no meio de vós, e a minha alma de vós não se enfadará. E andarei no meio de vós, e eu vos serei por Deus, e vós me sereis por povo” (Lv.26.11,12).
Jesus Cristo, o templo de Deus
As escrituras deixam muito claro que Deus criou um corpo para si e habitou nele, o evangelho de João começa afirmando: “ No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Mais adiante diz: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo.1.1, 14). Escrevendo aos colossenses Paulo afirma : “ Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl.2.9).
Deus estava em cristo, até aqui é o que se poderia dizer da manifestação de Deus em carne, todavia, é o próprio Jesus que declara ser a sua pessoa o templo de Deus em contraste ao reverenciado templo de pedra em Jerusalém: “ Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei. Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias? Mas ele falava do templo do seu corpo” (Jo. 2. 19-21).
Em outro lugar em resposta a Filipe : Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras (Jo. 14.9,10).
Fica muito obvio que o corpo, o involucro chamado Jesus era a perfeita morada de Deus entre os homens, por isso as escrituras o chamam de Emanuel, Deus conosco ( Mt.1.23).
A Igreja, o templo de Deus
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Esse Emanuel promete aos discípulos que chegaria o dia em que o Espirito que habitava nele haveria de encontrar sua morada nos homens através da Igreja: “ O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós” (Jo. 14.17).
Quando Jesus falava do Espirito que habitava com os discípulos, estava falando do Espirito Santo que estava nele, pois Jesus é a manifestação de Deus em carne . Paulo quando se refere a encarnação afirma : “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória” (I Tm. 3.16).
Quando falava do “Espirito que estará em vós” referia-se ao dia de pentecostes, quando o Espirito Santo que nele habitava, por graça e bondade de Deus habitaria na Igreja, fazendo dela o templo de Deus aqui na terra: “ E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem […] De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis” ( At.2.4;33).
A partir do dia de pentecostes a igreja se torna o templo do Espirito Santo. Deus habita nela, a morada de Deus não está circunscrita a apenas um homem, como foi em Jesus, mas agora em muitos membros formando o corpo místico de Cristo, temos Jesus agora em carne de novo, porém agora representado pela igreja através dos seus integrantes : “ Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular” (I Co. 12. 27); “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Rm. 12. 5).
Vê-se isto bem representado nas línguas como que de fogo repartidas e pousando em cada um dos discípulos (At. 2.3), contrapondo a coluna de fogo do Antigo Testamento que acompanhou o povo na saída do Egito até a terra prometida (Ex. 13. 21, 22).
Ela era claramente um sinal da presença de Deus entre o seu povo, todavia, é a partir do pentecoste que a coluna (Deus) distribui de si ao seu povo fazendo dele sua morada: “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (I Co 12.4-6).
A Graça de ser templo de Deus
“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Co. 3:16);
“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? ” (I Co. 6:19).
No novo concerto Deus está no seu povo como Igreja, e em cada membro de forma particular, sendo cada crente individualmente um templo, uma habitação do Espirito Santo.
Quais são as implicações disso para os cristãos hoje? Muitas. A primeira é que não há a obrigação de um lugar para a Igreja está reunida para cultuar a Deus, ela tem em si mobilidade para cultuar ao Senhor onde achar conveniente: “Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles, e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano. E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos ” (At.19.9,10).
Reunir-se nas dependências de uma escola não foi um empecilho para o desenvolvimento da Igreja na época de Paulo, assim como não havia dificuldade em se estabelecer a Igreja do Senhor a partir da residência de um irmão: “Saudai a Priscila e a Aquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios. Saudai também a igreja que está em sua casa...” (Rm. 16.3-5).
Deve-se explicitar que não há nenhum pecado no fato da Igreja possuir um prédio para suas reuniões semanais, por outro lado, o prédio em si não deve ser tomado como algo imprescindível para a vida da Igreja, pois assim sendo, da-se mais importância a construção de pedra de que a Igreja-gente, alvo maior e único da morte vicária e salvífica do Senhor Jesus: “ Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo (I Pe. 2.5).
O segundo e mais importante aspecto, não fala meramente dos deveres que o cristão tem em buscar cada vez mais se enquadrar dentro da vontade de Deus como revelada a Paulo, (leia o texto “ Há esperança para Laodiceia? ” no trecho que fala do ministério de Paulo aos gentios) e sim em se perceber os privilégios de ter o Senhor se movendo em sua vida, sendo o crente da Nova Aliança um depositário da graça de Deus, manifestada nessa benção de poder ser o verdadeiro templo do Espirito Santo na terra hoje. Logo, o crente do Novo Pacto:
    Reina em vida com Cristo: “Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo;
    [...] E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça.
    E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 5.17; 8:10,11.).
    Está assentado em lugares celestiais, significando isso,que é autoridade e venceu todo o mal: “E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Ef 2.6).
    Não necessita de que um intercessor, sacerdote, bispo, padre, pastor, vá a Deus por ele, pois o cristão é o verdadeiro sacerdote do Senhor, a nação eleita e santificada por Deus: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (I Pe. 2.9); “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl. 1. 13).
    “ E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou
    No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis”(Cl.1.20-22).
    Na Nova Aliança, que por sinal, é muito superior a antiga - “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas”(Hb 8.6)- Jesus não está com o crente (II Cr. 32.7), mas nele : “Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (I Jo. 4.4).
    De sorte que ele ( Jesus) estando na Igreja e particularmente no crente, nada lhe falta: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude” (II Pe. 1.3).
    O cristão na nova aliança já é abençoado : “ Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef. 1.3).
Considerações finais
Neste opúsculo o leitor teve a oportunidade de tomar conhecimento do “transtorno Jaconiano”, uma síndrome que têm perseguido a Igreja ao longo dos séculos. Do mesmo modo como o terceiro patriarca corria tresloucadamente em busca daquilo que invariavelmente já era seu por promessa, a Igreja , que deveria exercer o magistério da fé e pela fé viver, prefere palmilhar o mesmo caminho do velhaco e transtornado Jacó: O caminho do engano, da religião ególatra, cujo deus é o eu.
Foram analisandas aqui as atitudes de Jacó, suas consequências e a extração dos ensinos advindos desta experiência relatada no livro santo. Demonstrou-se também, e de modo incisivo a obra de Deus através da progressão revelatória da sua palavra : Deus no tabernáculo, no templo de pedras, no templo chamado Jesus e por fim na Igreja, sua morada final, pelo menos até que se chegue ao novo céu e nova terra.
O cristão hodierno tem então um privilégio o qual nunca foi imaginado por nenhum dos profetas da Antiga Aliança: Deus habitando no seu povo, revelação esta que será obtida apenas com os escritos Paulinos, trabalhado de modo acanhado pelos principais reformadores, todavia, tratado de modo ousado neste trabalho.
Que seja este o grito de Guerra do cristão hoje :”Cristo em vós, esperança da glória”(Cl.1. 27).
Wanderley nunes.

domingo, 28 de agosto de 2011

Revelação e iluminação das Escrituras

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Para que haja a perfeita adoração a Deus é de suma importância que os cristãos tenham conhecimento do modo como Deus se manifestou e se fez compreender no passado, e como se manifesta hoje.
Não há como o homem, em sua limitação e estado atual, ter um conhecimento perfeito de Deus, já que conforme escreveu Paulo, isso só acontecerá plenamente quando estivermos diante do Senhor ( I Co. 13.10,12) No entanto, existe a possibilidade do homem conhecer a Deus o suficiente para suprir suas necessidades concernentes à vida atual e porvir. Porém, o homem só logrará êxito na busca de conhecimento da palavra de Deus se aprouver ao Senhor revelar-lhe (Mt.11.25; Mt. 16 15-17).
Revelação
Esse é um vocábulo grego αποκαλυψις [apokalupsis] que significa: levantar ou retirar o véu. É um termo aplicado aos Escritos Bíblicos e seus ensinos e profecias dados diretamente por Deus, com o intuito de que seus desígnios e propósitos eternos cheguem ao homem. Para melhor compreensão é importante observar os tipos de revelações dadas ao homem.
  1. Revelação geral: Através da criação (Sl.19.1; 97, 1), da natureza (Rm 1.20), e do testemunho que Deus dá de si mesmo (At.14. 17).
  2. Revelação especial: Pela Escritura (II Tm. 3.16); Pela manifestação de Deus em carne (Jo.1.1; 20.28; I Jo.5.20; Cl.2.9); Deus se faz homem para trazer a salvação para os que crêem (Jo 1. 12,13).
Iluminação - Compreendendo a palavra
Dize-se que houve “iluminação” quando o homem consegue compreender uma doutrina ou porção das Escrituras que até então lhe era obscura. O termo “inspiração” teologicamente falando, é usado apenas para os escritos Bíblicos; aqueles que servem a Deus e estudam a sua palavra recebem “iluminação”, capacidade de compreendê-la, como bem enfatizou Paulo : "Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos " (Ef 1.18).
A iluminação em regra, vem depois da exposição da palavra de Deus (Rm.10.17). Quando alguém é iluminado, significa que passou a ter uma visão original da Palavra de Deus, ou seja, passa a compreendê-la com o mesmo significado que foi passada para os primeiros cristãos na era apostólica.
Deus usa homens
Na história da Igreja, desde os primórdios apostólicos, o Senhor comissionou homens para que levassem a sua palavra até os confins da terra. Em Jerusalém a princípio Deus chamou Pedro para pregar para o mudo de então, no qual se incluíam os gentios (At. 15.7).
A Escritura deixa claro que o apóstolo Pedro toma essa posição só até o advento de Paulo, o apóstolo dos gentios, com quem de modo efetivo se inicia a primeira dispensação ou “era” para os gentios (não Judeus).
Paulo o primeiro mensageiro para os gentios
Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo separado para o evangelho de Deus”. Rm. 1:1.
Porque convosco falo, Gentios, que, enquanto for Apóstolo dos Gentios, glorificarei o meu ministério”. Rm. 11:13.
O Senhor foi buscar no próprio Judaísmo o austero e zeloso Saulo, cujo nome significa: Pedido; denotando assim que os seus pais oraram a Deus em busca de um filho homem, o que era de muita importância na religião judaica, para assim perpetuar as suas tradições. Ao ser convertido à fé em Cristo, no caminho de Damasco (At. 22.6, 15, 21), adota o nome gentílico, mais precisamente Romano, Paulo, que quer dizer: pequeno; numa clara demonstração de desprendimento, que é o verdadeiro espírito do Cristianismo.
A mensagem que Paulo trouxe, não era fruto de uma convivência física com os apóstolos, e muito menos com o Senhor, que aliás, ele nem conheceu pessoalmente. Foi sim, o resultado de um chamado de Deus e de seguidas revelações, que punham o seu ministério em um patamar muito superior aos dos outros apóstolos.
“Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens, porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo”. Gl. 1:11-12.
Paulo foi chamado para levar as boas novas (evangelho) aos Gentios. A seu respeito estava profetizado. Is. 49.6. “... também te dei para luz dos Gentios, para seres a minha salvação até a extremidade da terra”. E ele próprio discerniu essa profecia, At. 13.46-47.
“Antes pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão (porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para os Gentios. Gl. 2.8)”.
“E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a Graça que se me havia dado, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fossemos aos Gentios e eles à circuncisão”. Gl. 2.9.
Para o que (digo a verdade em Cristo, não minto) fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos Gentios, na fé e na verdade”. I Tm. 2.7.
Paulo trouxe a revelação da graça de Deus
“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.” (At. 20.24).
A mensagem para os gentios, é na verdade a mensagem do pacto da graça evidenciado de modo inconteste por Paulo, porém esquecido nas dispensações subsequentes. Deve ficar bem claro que o cânon das Escrituras está fechado e o que Paulo recebeu e escreveu como “revelação” de Deus, agora é discernido pela unção profética da mensagem restauradora.
Quando a mensagem é exposta hoje, Deus abre o entendimento daquele que é seu para que compreenda a palavra. Pode-se apontar como exemplo Lidia (At.16.14-15) que ouviu a palavra, pois o Senhor lhe dera ouvidos para atender as palavras de Paulo.
Outro exemplo significativo pode ser encontrado no eunuco Etíope (At.8.26-39), vinha lendo a revelação (Escritura), porém não possuía a iluminação, foi necessário que Filipe lhe expusesse a palavra para que o Espirito de Deus abrisse o seu entendimento. É pertinente dizer que a obra é do Espirito de Deus, porém ele só irá atuar para trazer a clareza da palavra através daquele que ele iluminou e comissionou para isso.
A Mensagem restauradora traz a iluminação para hoje
A mensagem da graça foi pregada por Paulo, entretanto foi esquecida com a passagem do tempo e sobretudo com a apostasia que vem tomando conta da Igreja ao longo dos séculos. Em 31 de outubro de 1517 eclodiu a reforma protestante quando Lutero deixou afixado suas 95 teses na porta do templo de Witemberg, protestando contra diversos pontos doutrinários da religião estabelecida, dentre eles, a venda das indulgências (venda do perdão de pecados).
Ainda hoje, vê-se claramente na Igreja atual esse triste legado herdado do romanismo. O catolicismo ainda ensina tal prática, ainda que de uma maneira discreta. O modo mercantilista de tratá-las mudou um pouco, tornando-se algo velado, todavia as filhas (Ap.17.5), grupos religiosos que surgiram nesse rastro, tomaram esse legado mamonico (Mt.6.24) para si e o abraçaram com força total.
Isso é a apostasia já dantes profetizada (I Tm. 4.1) . É importante salientar que a reforma trouxe um sopro de vida com relação a graça de Deus, entretanto, mesmo ela ficou relegada ao esquecimento, já que a Igreja hoje vive propalando indulgências modernas, embora com outros nomes: (sabonete,toalha,rosa,sal e água “ungidos”, descarregos, fogueiras, onde se paga para minimizar a morte salvífica de Cristo, no afã de resolver seus problemas pessoais). Isso é um insulto à graça de Deus, é desconsiderar o sacrifício do Senhor Jesus: “ De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano (comum) o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo (insulto, ultraje, ofensa) ao Espírito da graça? ” ( Hb. 10. 29).
Em Atos 3.21 há uma promessa: “O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio.”
O texto enfatiza que antes da vinda de Cristo haveria uma restauração, Deus agiria como sempre agiu e enviaria uma mensagem de restauração. É nesse tempo que estamos vivendo, esta é a dispensação mais negra de todas, quando a Igreja é Laodiceiana (veja o artigo : “ Há esperança para Laodicéia?), estabelecendo ao seu bel prazer o seu “deus” e o seu modo politeísta e mamonico de adorá-lo.
Porém é nessa hora final que o Senhor em seu eterno propósito têm enviado uma mensagem completa de restauração, abrangendo tudo o que não pôde ser alcançado nas dispensações anteriores, resgatando os eleitos de Laodicéia e os trazendo para a dispensação do Reino de Deus (Cl. 1.13).
Pr. Wanderley Nunes.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Há esperança para Laodicéia?

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Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” Ap. 3.20.


Este é um texto muito usado quando se faz um apelo para que o pecador se decida por Cristo, ganhando inclusive uma conotação muito romântica e por vezes poética. Mas o referido versículo é dirigido a alguém que ainda não é cristão? Evidente que não, primeiro porque Apocalipse é um escrito endereçado às Igrejas da Ásia (Ap.1.4). Deus não está tratando aqui com um grupo de impios, e sim com uma igreja estabelecida que havia perdido o sentido do que verdadeiramente era ser um Cristão. Haviam se tornado altamente legalistas nas suas práticas religiosas, daí a razão de Jesus os chamar de “desgraçados”, literalmente: destituídos da graça de Deus, o que consequentemente os tornou pobres e miseráveis diante do Senhor, não vendo a grandeza da graça salvadora, devido a cegueira espiritual a qual os despojou completamente das vestes brancas da justiça Divina.
Outro fator interessante que não se deve passar por cima é que o primeiro casal, Adão e Eva, foram lançados fora da presença de Deus (paraíso), enquanto que Laodicéia - que é combinação de duas palavras gregas: "Laos", que significa povo, gente, laico, leigo, e "dikecis", que significa opinião, costume, governo, juízo; de onde se deduz que Laodicéia quer dizer, a opinião ou governo do povo ou laicado - colocou Jesus para fora dos seus templos através dos seus dogmas e ensinos de homens.
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                                     “ Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.”
Jesus está batendo à porta de Laodicéia. Ora, se alguém bate na porta a fim de que o deixem entrar, isto que dizer que tal pessoa se encontra do lado de fora. Isso mesmo! Jesus tem tido o seu nome poderoso usado para que os vendilhões do templo se locupletem às suas custas, sem o compromisso de abraçar a sua fé e muito menos sua ética. Desejam o nome (a religião), mas rejeitam a pessoa (a palavra) de Jesus.
Bem profetizou Isaías sobre isso:E sete mulheres (grupos religiosos) naquele dia lançarão mão de um homem (Jesus), dizendo: Nós comeremos do nosso pão (doutrina de homens), e nos vestiremos do que é nosso (justiça própria, ou seja, religião legalista); tão somente queremos ser chamadas pelo teu nome; tira o nosso opróbrio” (Is.4.1).
Ainda há esperança para alguns
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“Se alguém ouvir a minha voz...”. O referido versículo assegura que até o fim desta dispensação Laodiceiana haverá uma voz, que seguramente é a voz do Senhor, do lado de fora de toda essa confusão religiosa, clamando para que alguns que estão em Laodicéia, mas não são laodiceianos, possam sair de lá (Ap.18.4). Certamente Deus tem os seus: “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus”(II Tm.2.19); “Quem é de Deus escuta as palavras de Deus” (Jo.8.47).
Os que são de Deus ele mesmo os escolhe: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto” (Jo.15.16). O Senhor também deu certeza que quando sua voz ecoasse surgiria um rebanho, que ele mesmo nominou de “um só rebanho” : “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor” (Jo.10.16).
Como em todas as dispensações, Deus tem usado a voz humana para que seja a sua voz; foi assim na Antiga aliança com os profetas, depois na encarnação quando Deus se fez homem, e nas dispensações gentílicas que se seguiram, quando O Senhor usou Paulo, Lutero, Calvino, Zwinglio e outros verdadeiros profetas e mestres da Igreja.
Agora nesta última fase, Deus tem suscitado uma mensagem de restauração, uma voz profética, a parte de todo esse movimento hiper religioso, e que assim como os ministérios proféticos vindicados por Deus, tal ministério só é notado por aqueles que tem ouvidos espirituais dados pelo Senhor Jesus Cristo para que possam discernir a sua voz (Mt.11.15), esses indubitavelmente ouvirão a chamada da última hora (Mt. 25.6).
É agora o tempo de abandonar a religião apóstata; cheia de penitências com prazo de validade vencidos pela chegada da dispensação gentílica da graça, inaugurada por Cristo Jesus em um concerto muito superior (Hb.8.6).
Se você foi despertado por Deus através desta palavra, entre em contato conosco, queremos ter o prazer de compartilhar com você a mensagem da última hora.
Pr. Wanderley Nunes.

domingo, 31 de julho de 2011

MOVIMENTO EM PROL DO MEIO AMBIENTE “ A NATUREZA É SUA AMIGA, PRESERVE-A!” FOI UM SUCESSO !

No último dia 24 de Julho na praia do Farol em Mosqueiro, em um grupo de cerca de quarenta pessoas estivemos desenvolvendo o que esperamos ser um inicio de um belo projeto em defesa do meio ambiente. Foram entregues sacolas plásticas aos veranistas a fim de que recolhessem o lixo produzido. Os envolvidos no projeto “ A natureza é sua amiga, preserve-a!” usaram camisas com o referido slogan, bem como empunharam faixas alertando sobre a preservação do meio ambiente.
A receptividade por parte dos frequentadores da ilha foi algo muito interessante, muitos se dirigiram aos voluntários solicitando sacolas, aproveitando para parabenizar tão importante iniciativa; o mesmo não pode ser dito com relação aos poderes públicos, os quais foram contactados e recusaram apoiar esse trabalho de conscientização ambiental.
Todos os encargos e despesas ficou por conta da Missão Cristã Mundial de Restauração, até mesmo o ônibus que fez o transporte dos voluntários teve que ser fretado, pois as empresas de transporte consultadas não se sensibilizaram com tão importante projeto.
Apesar de todas as dificuldades tivemos êxito em nossa empreitada, agradecemos a Deus por mais uma vitória, aos nossos irmãos e companheiros pelo envolvimento, e encarecidamente deixamos o apelo a PREFEITURA DE BELÉM, ao DEMA ( DIVISÃO ESPECIALIZADA EM MEIO AMBIENTE) e aos EMPRESÁRIOS DO SETOR DE TRANSPORTE DE BELÉM DO PARÁ, para que em 2012 possamos contar com o apoio de cada um desses setores, a fim de viabilizarmos com maior repercussão o projeto “A natureza é sua amiga, preserve-a!”.
Segue abaixo as reportagens feitas pela RBA TV (afiliada da Band) e TV Liberal (afiliada da Rede Globo) respectivamente:

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

TEXTOS MAL INTERPRETADOS

A PALAVRA DE DEUS SE RENOVA? ( HERMENÊUTICA)

“A palavra de Deus se renova a cada manhã”. Onde está escrito isso na Bíblia? Em lugar algum. As escrituras afirmam que é o entendimento do homem é que se renova : “ E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm.12.2). A palavra de Deus é eterna : “seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente.”(Is.40.8); O apóstolo Pedro também faz a mesma afirmação (I Pe. I.25).



A palavra é intrínseca ao próprio Deus e como ele, é eterna. Não há nela variação, mudança. Nada lhe falta, como também nada nela precisa melhorar ou ser aperfeiçoado. A palavra como imanência do Divino é responsável pela criação do mundo; revelou-se inefavelmente em Jesus Cristo( Deus feito homem) e por fim, se deixou registrar nas páginas das Escrituras como sua vontade revelada ao homem que crê.

Então o que as escrituras dizem que se renovam cada manhã? O profeta Jeremias responde : “ As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.” (Lm.3.22,23).

Nesse texto, Deus como sempre está tratando com um povo rebelde que se desvia constantemente da sua palavra ( vontade registrada); sabe-se que o salário do pecado é a morte, é então que surgem as misericórdias de Deus que se renovam ou seja, O Senhor perdoa o pecado e não castiga o infrator, é nesse sentido que suas misericórdias se renovam a cada manhã. E agora, o seu entendimento foi renovado com relação a palavra eterna de Deus?

MATEUS 6. 33 DIZ QUE TUDO SERÁ ACRESCENTADO?

Como você profere “ buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas […] vos serão acrescentadas”. Se você completou a frase com “ todas as coisas”, simplesmente distorceu a palavra de Deus. Mas não fique triste, você não está só nessa viagem, milhões ao redor do mundo lhe fazem companhia nessa equivocada interpretação. Então qual a interpretação correta? Sobre o que o texto se refere?

Para que possa haver uma perfeita interpretação, se faz necessário também uma perfeita contextualização. Em se tratando desse texto, é preciso observar que ele faz parte do Sermão do monte, o qual se inicia em Mateus 5.1, terminando em 7.28 : “ Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina.”

sabe-se claramente que o discurso foi prioritariamente dirigido aos discípulos( os doze), e aqueles que eram candidatos a discípulos: “ Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos;e ele passou a ensiná-los.” (Mt.5.1).

Depois de dar várias instruções práticas, Jesus passa ( vers.19) a falar sobre a preocupação natural do homem em acumular tesouros (bens) na terra, e termina essa perícope afirmando que o coração do homem está sempre ligado aquilo que lhe é mais precioso( vers. 21.

No versículo 24 O Senhor é enfático no que concerne a primazia de Deus na vida dos seus discípulos: “ Não podeis servir a Deus e as riquezas.”


COMER, BEBER E VESTIR.

No versículo 25 há uma clara correlação com o verso anterior: “Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. É pertinente se observar o uso do “por isso” e então perguntar : por isso o que? O versículo 24 responde : por não poder servir a Deus e as riquezas.

Logo a ênfase de Jesus recai a partir daí sobre : O comer, o beber e o vestir. Necessidades básicas, que no pensamento de Jesus não devem de modo algum se tornarem senhores do homem, fazendo-o viver em função disso. No versículo 28 sem sair do assunto, é falado sobre a ansiedade com relação ao vestuário, para em seguida, verso 31 reafirmar o contexto : “ Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos?

Jesus explica ainda que viver só para o próprio deleite físico: comer , beber e vestir; são alvos meramente gentílicos ou seja, de quem não serve a Deus.: “Porque os gentios é que procuram todas estas coisas”. Quais são todas estas coisas? Comer, beber e vestir E termina o versículo 32 dizendo : “ pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas”. Do que é que o Pai celestial sabe que os homens necessitam basicamente? Comer, beber e vestir.


O QUE SÃO “ TODAS ESTAS COISAS”?

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“Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” É importante a observação de que não é dito jamais “ todas as coisas”, mas sim estas coisas, referindo-se a tudo o que foi falado anteriormente as quais são : comer, beber e vestir.

Em nenhum lugar desse texto é afirmado que Deus está comprometido em dar riquezas e prosperidade a alguém por essa pessoa ter feito a sua vontade, ao contrário, Jesus está conclamando a que os seus discípulos tenham desprendimento no que se relaciona as coisas materiais, mesmo as mais básicas, pois ainda que o homem faça tudo o que o seu Senhor ordena, ainda assim ele não tem nenhum mérito, nenhum merecimento diante de Deus.

“ Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer.” (Lc.17.10). O Senhor continue iluminando seu povo.
Pr. Wanderley Nunes.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Há a possibilidade do salvo ter seu nome riscado do livro da vida?



Deve-se reconhecer humildemente que a questão ora apresentada é deveras complexa, suscitando debates e controvérsias os quais remontam ao alvorecer do Cristianismo. Há de se observar, no entanto, que Deus é soberano e essa soberania repousa sobre a tríade basilar dos seus atributos: Onipotência, onipresença e onisciência. Sem qualquer uma dessas atribuições inerentemente Divinas esse excelso ser não poderia ser nominado como tal.
Poderia O Todo-Poderoso riscar o nome do salvo do livro da vida? O que dizem então as escrituras tanto do Antigo como do Novo Testamento sobre esse tema? Para tentar responder a indagações como essas, se faz necessário a compreensão epistemológica dos atributos de Deus: soberania e onisciência. É pertinente também, a observação do pensamento teológico no que diz respeito à salvação e ao juízo Divino para o povo Israelita da Antiga Aliança. Outro fator importante, é a busca da contextualização dos episódios Bíblicos os quais supostamente apontam a existência dessa possibilidade.

A soberania de Deus
A soberania de Deus é por vezes objeto de acaloradas discussões, quando deveria ser alvo de um reverente estudo e de piedosos debates. Simplesmente trazer à baila essa doutrina hoje parece estranho aos Cristãos de quase todos os credos e matizes teológicas. Talvez alguns sentiriam-se diminuídos e coisificados se viessem de algum modo aventar a possibilidade da crença em um ensino como esse, ou pelo menos sua possibilidade.
Sabe-se, todavia, que as coisas de Deus se discernem espiritualmente e por intervenção Divina[1]. Refletir sobre a soberania de Deus deve levar à elucubrações de cunho espiritual, já que pressupostamente uma reflexão teologicamente sadia não deve jamais prescindir da disposição de deixar que o Deus revelado na Bíblia seja o Deus do Cristão do século XXI.
O homem tem em si, desde o principio, o desejo de liberdade, leia-se liberdade no sentido de não reconhecer nem uma espécie de autoridade que lhe seja superior, nem uma força maior que lhe leve e o direcione por caminhos pelos quais, independente dessa vontade maior, jamais percorreria. Ainda assim, quando as contingências da vida lançam por terra sua ilusão quimérica de auto sustentação e independência, então ele se dobra às forças contingentes que não reconhecia até então. Surgem aí as frases e os ditos populares: “Está nas mãos de Deus”, “Deus sabe o que faz, agente não sabe o que diz”, “Ele é Senhor (soberano), sabe o que faz”, “Nada acontece por acaso”, “Essa foi a vontade de Deus”, “Foi Deus que quis assim”.....
Desse modo o homem se rende as contingências pela soberania, mas não reconhece a soberania pelas contingências. O máximo que se tem chegado sobre o alcance da soberania Divina, sendo um piedoso Cristão, é o reconhecimento da total dependência de Deus. O próprio Calvino observou com muita perspicácia esse fenômeno: “Mesmo os santos precisam sentir-se ameaçados por um total colapso das forças humanas, a fim de aprenderem, de suas próprias fraquezas, a depender inteira e unicamente de Deus”[2].
  1. A crença de que Deus é soberano deveria trazer consolo para os Cristãos. Berkhof[3] com muita propriedade fala que a soberania Divina é expressa não somente na sua vontade, mas de igual modo em sua onipotência. Entretanto, é salutar notar que mesmo tendo Deus o poder absoluto, está ao mesmo tempo compromissado com os seus demais atributos, os quais ele próprio deliberou e sancionou na eternidade, tais como: Justiça e santidade. Ele não é arbitrário, nem incoerente consigo mesmo. Assim sendo, existem coisas as quais são impossíveis ao seu próprio ser, como: não poder pecar, mentir, mudar ou negar a si próprio[4].
A soberania de Deus é de alcance universal, absoluta e imutável. Ela é universal, pois compreende o mundo todo, estendendo-se a todas as coisas criadas animadas ou inanimadas, desde o ser vivo mais ínfimo até ao mais portentoso e complexo[5]. É absoluta, pois nada ou ninguém pode impedir o seu querer ou os seus propósitos, já que os mesmos foram decretados na eternidade e levados a efeito no tempo. No que diz a alguns fatos mencionados nas Escrituras, sabe-se que muitos deles ocorreram por meio da intervenção direta de Deus, podendo-se citar: a eleição, a criação, a encarnação do Logos..... . Outros se realizaram no tempo e espaço tendo como agente causal o homem, exemplo: O decreto fez com que Cristo fosse crucificado, entretanto isto não significa obrigatoriamente que alguém especificamente tomasse essa atitude, ninguém de forma deliberada foi forçado a isso. No episódio da morte de Cristo, aqueles que o crucificaram estavam dando vazão pura e simplesmente aos seus sentimentos vis a respeito de Jesus: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos[6]”; cumpriram dessa forma o decreto e propósito de Deus. Não tendo percepção espiritual, crucificaram o Senhor da glória.[7]

A onipotência de Deus
A palavra onipotência fala do ser que é Todo-Poderoso em si mesmo, não estando circunscrito a um determinado tempo ou lugar, não havendo nada ou ninguém que o limite ou restrinja. Advém da junção de dois vocábulos do latim “omnis” e “potentia” e significam “todo poder”. Este atributo aplicado a Deus mostra que Seu poder é ilimitado; a onipotência de Deus é aquele atributo pelo qual Ele pode levar a efeito qualquer coisa que deseje.
“Bem sei que tudo podes”; “Acaso para Deus há cousa demasiadamente difícil?”[8] Mesmo as ações satânicas estão limitadas por Deus. Na Nova aliança o maligno não pode tocar nos filhos de Deus[9], aqueles que foram selados com o Espírito Santo[10]; já que no Novo Concerto a Igreja como um todo é morada de Deus[11], bem como individualmente todos os crentes são Santuário do Altíssimo[12].
Logo, Deus é a fonte e a emanação de todo poder nos céus e na terra. Davi ao ofertar para a construção do templo reconheceu o domínio do Senhor: “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos oferecer voluntariamente coisas semelhantes? Porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos”.[13] Noutro lugar tal fato é ressaltado: “E riquezas e glória vêm de diante de ti, e tu dominas sobre tudo, e na tua mão há força e poder; e na tua mão está o engrandecer e o dar força a tudo.”[14]
A crença na onipotência de Deus deve trazer um grande suporte para a vida de todo Cristão piedoso, pois a confiança daquele que tem o Deus da Bíblia como Senhor deve descansar na premissa de que mesmo os poderes e autoridades deste século estão sujeitos às orientações e desígnios Divinos[15], mesmo que aparentemente pareçam deter um poder grandioso, ainda assim estão submissos mesmo com desconhecimento de causa, a um poder infinitamente maior, a cuja vista nada lhe escapa, nada foge ao seu controle[16].
A ação da onipotência e soberania de Deus se observam também nas contingências da vida, quando surgem enfermidades, acidentes e problemas dos mais diversos. São nessas ocasiões que o Todo Poderoso impinge sobre o homem a sua onipotência e soberania, e por outro lado o cristão tem a oportunidade de reconhecê-la.
Mesmo quando Deus frustra os desejos humanos ou não corresponde aos seus interesses, é porque está agindo conforme os seus propósitos eternos, os quais são e serão sempre maiores do que o pequeno e limitado conhecimento do homem a cerca da sua vontade: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR...” Paulo por sua vez escreve: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós[17]. Assim deve-se reconhecer que Deus sempre fará o que lhe apraz, bem como permitirá que aconteça o que convém ao seu propósito maior[18].

A ideia de salvação no Antigo Testamento
Nas escrituras veterotestamentárias, a ideia de salvação como seria mais tarde manifestada no Novo Testamento não existia, e isso é fato como taxativamente menciona Eichrodt: “[...] Está claro que a única coisa que se tem consciência é a existência terrena e natural de Israel, sem levar em conta uma consumação da história” [19]. É preponderante a observação tanto da teologia da salvação, quanto do próprio significado deste vocábulo para o fiel do Antigo Testamento.
A palavra “Sotria” provém de um radical que significa conservar são e salvo, preservar, não matar, perdoar, curar. Assim, a palavra traz o significado de salvação, conservação, segurança. Tanto poderia designar o estado da salvação, como o meio para adquirir esta salvação. Enfim, qualquer meio para o sentimento de bem-estar da pessoa[20].
Na Septuaginta ela aparece 155 vezes, mostrando toda a gama de significados que pode adquirir. Pode indicar uma simples segurança[21], a libertação do jugo inimigo[22], em última instância algo proporcionado somente por Deus[23]. Ela é mais abundante nos Salmos (34 vezes) e Isaías (15 vezes).
O verbo “Sozo”, juntamente com seus cognatos traduz na Septuaginta vários termos hebraicos:
·significando “salvar” como quem toma à força um despojo de guerra;
·Salvação no sentido mais amplo. É a salvação total e por completo, sempre ligada ao conceito meramente físico da acepção do termo, sendo mais abundante nos Salmos (76 vezes) e em Isaías (34 vezes);
· Salvação no sentido de proporcionar a fuga de um prisioneiro, em especial quando há risco de morte[24];
· Salvação no sentido de arrebatamento de algum perigo, como um feito heróico[25];
· Salvação como uma expressão quase que exclusiva de Salmos (das 27 vezes na qual aparece no Antigo Testamento, somente 19 estão nos Salmos).– a ênfase é no pedido a Deus para o livramento de todas as situações.
Porém, para o substantivo traduzido por salvação no hebraico somente a raiz é utilizada. Assim, tem-se “salvação” com diferentes acepções, sempre ligada a salvação meramente corpórea. “Sotria” também é traduzida como “paz”.[26] Pode-se dizer que a ideia teológica de salvação como demonstrado no Novo Testamento não é sequer mencionada nos escritos veterotestamentários, com exceção dos Salmos e Isaías, ainda que de forma velada.
Qual seria o motivo? Os textos sagrados do Antigo Pacto foram redigidos sob a ótica das Alianças: Abraâmica, Davídica, Mosaica... Os quais falam prioritariamente de um povo, de uma terra e de uma nação[27]. Conclui-se então, que a ideia de salvação no Antigo Testamento é basicamente secular, terrena e materialista.
Além de acrescentarem à teologia Judaica a interpretação do conceito soteriológico de que só o Senhor salva[28], os livros de Salmos e Isaías procuram, outrossim, dogmatizar a crença de que só o Altíssimo é verdadeiramente monarca: “Eu sou o SENHOR, e fora de mim não Salvador”[29]  “A salvação vem do SENHOR; sobre o teu povo seja a tua bênção”[30].
“O SENHOR se assentou sobre o dilúvio; o SENHOR se assenta como Rei, perpetuamente”[31]. Noutro lugar: “O SENHOR reinará eternamente; o teu Deus, ó Sião, de geração em geração”[32].
“Naquele dia, se dirá: Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o SENHOR, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos”[33]. O clamor profético é ouvido: “Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!
Depois de se analisar o termo “salvação” e observando que o plano salvífico é progressivo, assim como o é toda revelação Escriturística, respeitando sempre a cosmovisão, fatores ideológicos e filosóficos dos escritores inspirados, como também dos receptores primários aos quais as mensagens foram dirigidas, parece claro que o fiel do Antigo concerto possuía olhos tão somente para as promessas pactuais da Aliança, que lhe prometia uma vida de regozijo, saúde, prosperidade e segurança[34], tendo como base a obediência ao pacto e a presença do Deus dos Israelitas, o único todo- suficiente para seu povo[35].
Os escritos veterotestamentários, ainda que de forma tímida e inexata, apontam para a iminente necessidade de um novo tempo e uma nova Jerusalém. Salvação nesse ideário parece significar vitória e libertação sobre aquilo que embaraça e impede o perfeito usufruto das benesses da aliança, que conforme essa visão são nominadas como maldições: Reveses e prejuízos na cidade e no campo; perda dos animais, desgosto concernente aos próprios filhos; peste, seca, derrota ante o inimigo[36]...
Pode-se deduzir mediante as provas bíblicas já citadas, a inexistência de um julgamento e uma recompensa para alma na teologia do Antigo pacto: O julgamento nesse prisma é aqui, a recompensa também; observa-se uma teologia claramente retributiva; onde a benção e a vitória estão estreitamente ligadas à fidelidade ao pacto; Salvação é uma vida em consonância com o pacto; a morte ao contrário, é derrota e símbolo da desobediência pactual[37].

De qual livro Moisés pediu para ter o nome riscado?
É de suma importância a observação de que o conceito de salvação como é visto no Novo Testamento, era desconhecido ao povo da Antiga aliança. Se a ideia de alma, julgamento e castigo eterno não existiam, fica então a pergunta: De qual livro Moisés pediu para ter o nome riscado? Convém também admitir, que muitos dos que escrevem e pregam as Escrituras esquecem ou desconhecem, que deve haver cuidado para não fazer do seu pensamento o pensamento do escritor bíblico; da sua ideologia a ideologia dos profetas, usando para isso as lentes de sua visão do mundo, renunciando ao respeito que se deve ao escriba sagrado, ao tempo e à cultura em que viveu, e sobretudo ao Deus que o inspirou.
Outrossim, é salutar o esclarecimento de que há muitas teologias na Bíblia, porém cabe aqui reduzi-las, para o alcance até mesmo daquele que é leigo no assunto. De forma básica, há duas teologias, as quais englobam todas as outras: Teologia do Antigo Testamento e Teologia do Novo Testamento.
O episódio no qual Moisés pede para ter o seu nome riscado do livro encontra-se no Antigo Testamento, debaixo de uma teologia ainda muito limitada se comparada com a do Novo Concerto. Sem visão do céu, da encarnação do Verbo de Deus, de uma Nova Aliança e uma nova Jerusalém vinda diretamente do trono da Majestade Divina. A visão e o alvo Mosaico eram totalmente físicos e temporais. Conforme esse prisma pode-se apreender o que Moisés e os escritores veterotestamentários mais próximos dele tem a dizer sobre o livro de Deus.
O próprio Moisés faz apenas uma única menção no pentateuco semelhante aquela registrada em Êxodo: “O SENHOR não lhe quererá perdoar; antes, fumegará a ira do SENHOR e o seu zelo sobre tal homem, e toda maldição escrita neste livro jazerá sobre ele; e o SENHOR lhe apagará o nome de debaixo do céu”[38].
É importante notar que no citado texto, “apagar” o nome não tem ligação nenhuma com salvação eterna, já que o contexto fala claramente de julgamento temporal. Ter o nome apagado, refere-se à morte e a impossibilidade de deixar uma descendência que o perpetue. É ser relegado ao esquecimento como se nunca houvera existido.[39]
Outro texto que merece atenção se encontra nos Salmos: “Sejam riscados do livro dos vivos e não tenham registro com os justos”[40]. Outra vez a ênfase é na justiça retributiva e temporal: que a indignação do altíssimo seja derramada sobre os seus perseguidores; que sua morada fique deserta, pois perseguem aquele que já foi punido por Deus; que suas iniquidades sejam somadas a fim de não obterem perdão. E finalmente, o salmista deseja que os nomes dos que o perseguem sejam riscados do livro dos “vivos”[41].
Pode-se citar ainda outra passagem dos Salmos em que a ênfase é dirigida a pré-conhecimento Divino com relação a vida física do homem: “Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda”[42].
Com a nítida visão do pensamento veterotestamentário no que se relaciona a uma vida meramente terrena, é que se consegue depreender o exarado em Êxodo: “Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste”[43]. A intenção de Moisés, segundo essa visão teológica, não era jamais pedir para perder a salvação, pois não havia nesse período conhecimento de que existisse uma. Era sim, o pedido de um homem que desejava salvar o seu povo da morte iminente; para isso estava disposto a renunciar a própria existência física, não tendo mais o direito de preservar o nome através da sua descendência, nem levar adiante a grande tarefa para qual fora comissionado, pois a partir daquele momento seria como se nunca houvera existido.

Considerações finais
Há de se observar a importância de uma abordagem como essa, onde se empreende uma investigação séria pela realidade dos fatos, a começar pela busca do entendimento da soberania e onipotência Divina, os quais por si só demonstram que Deus realiza todo o conselho da sua vontade, sendo Todo-Poderoso para de forma cabal levá-la a efeito. Se porventura, há temor e tremor naquele que perscruta as Sagradas letras, a análise do termo “salvação” conforme abordado aqui é de muita valia, pois de forma cristalina e inexorável deixa aclarado que esse termo, no ideário veterotestamentário, carece da luz mais tarde revelada no Novo Concerto.
Por fim, cai por terra de forma inequívoca, o pensamento de que o livro do qual Moisés pede para ser riscado, acaso o povo fosse destruído, era o livro da vida relatado no Novo Testamento, já que era algo totalmente estranho ao pensamento e fé do grande profeta. Para ele, ter o nome riscado do livro era perder a vida física, a entrada na terra da promissão e as suas prerrogativas de grande profeta de Israel. Era tão somente, uma atitude sacrificial e heróica de um homem que amava o seu povo e confiava na misericórdia do seu Deus.
Wanderley Nunes.
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[1]               I Co.2.14; Mt.11.25.
[2]               Calvino, Joâo, Exposição de II Coríntios, p. 22.
[3]             Berkhof, Louis, teologia sistemática, p.76,77
[4] I Sm 15.29; Hb.6.18; Nm.23.19; Ml. 3.6;Tg.1.13,17. II Tm.2.13.
[5] Sl. 103.19; Dn.4.17; Mt. 10.29-31.
[6] At. 2.23.
[7] I Co.2.8
[8] Jó. 42.2; Gn.18.14.
[9] I Jo.5.18.
[10] Ef.1. 13; Ef. 4.30.
[11] I Co.3.16.
[12] I Co.6.19.
[13]  I Cr.29.14
[14]  I Cr.29.12.
[15] Rm.13.1; I Pe.3.22.
[16] Is. 31.1-3. Ao longo da história pode-se observar reinos e ditadores que se levantaram, porém de modo inesperado e surpreendente foram á bancarrota, demonstrando claramente que homem nenhum tem poder em si mesmo.
[17]  Is.55.8,9.; Ef.3.20.
[18]  Rm.8.28.
[19]  Eichrodt, Walther, Teologia do Antigo Testamento, p 429.
[20]  Nessa abordagem exegética salientamos o nosso débito, bem como nossa gratidão ao excelente trabalho registrado no site: http://doaldofb.sites.uol.com.br
[21]  Gn.26.31
[22]  Jz.15.18
[23]  Gn.49.18
[24]  I Sm. 19.11
[25]  Ex. 2.19
[26]  Gn.26.31
[27]  Gn.12.1-3;Ex.19.3;Ex 40.38;II Sm.7.5-17.
[28]  Aqui no sentido  de livramento físico mesmo, não mencionando nenhuma ação concernente ao céu ou a vida espiritual .
[29] Is.43.11.
[30] Sl.3.8
[31] Sl.29.10
[32] Sl.146.10
[33] Is.25.9
[34] Dt.28.1-14
[35] Nm.23.21
[36] Dt.28.15-68
[37] Dt.24.16; Dt.30.19,20
[38]  Dt.29.20. É pertinente observar todo o contexto, sobretudo a partir do versículo 9.
[39] II Rs. 14.27; Sl.41.5; Sl.83.4
[40] Sl.69.28.  Se for admitida a autoria Mosaica do Salmo 90 (1430 a.C, aproximadamente), esse livro foi composto num período de 1000 anos. Outros autores remetem os Salmos à diversas épocas : Davi (1020-970), Salomão ( 970-931), também são citados os filhos de Asafe e de Coré, supostamente antes do exílio, bem como a época dos “homens de Ezequias”, que cobre um período de cerca de 700 a.C. E. Ellisen,Stanley, Conheça melhor O Antigo Testamento, p.161.
      Vê-se aqui certa proximidade de tempo, entre os Salmos e Deuteronômio ( cerca de 1405 a.C) que sabe-se, influencia em muito a teologia de cada época. Outro fator a ser analisado é a teologia retributiva, encontrada nos Salmos, muito semelhante aquela encontrada em Deuteronômio.
[41]  Sl.69.24-28. A tradução “livro dos vivos”, parece ser a mais correta para  o vocábulo  usado na septuaginta:  “Biblos zoeton” , já que  diz  respeito a destruição puramente física, além de ser essa a ideia  original do texto.
[42]  Sl.139.16.
[43]  Ex.32.32.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Á destra de Deus


“Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus”. At.7.55,56.


Certamente esse é um dos textos mais usados para fortalecer a ideia trinitariana. Para que se compreenda com clareza um texto bíblico, se faz necessário a observação de algumas regras de interpretação: Época, cultura, quem escreveu? Para quem primeiramente foi endereçado tal escrito?O que motivou o escrito?1 Partindo dessa premissa, é importante que se observe qual o significado do termo destra.

No texto Lucano2 quando se fala de destra ou direita, o vocábulo usado é “dexiôn” que é uma variação do termo “doxan” que significa “glória”, ambos na sua gramática original podem significar: honra, esplendor, senhorio, majestade, e claro, glória3 . Logo o referido texto poderia ser traduzido mais próximo ao original da seguinte maneira: “ Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e Jesus que estava em glória e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, na glória de Deus.

 
Essa disposição textual aclara mais fielmente tanto a ideia de Estevão como judeu, quanto a ideia de Lucas sendo gentio, ambos estavam em seus relatos dando enfase ao messianismo de Jesus, que por conseguinte, apontava para o fato do Messias ser O Deus dos judeus (o único Deus) feito carne. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Is. 9.6).


Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus. (At. 7.55,56)


É importante que se note que o texto não diz que Estevão viu uma dualidade de pessoas, ele não viu “Deus” e “Jesus” mas sim, a glória de Deus, já que a Bíblia diz que Deus nunca foi visto por homem algum I Jo. 1.18. E noutro lugar : “o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!” I Tm.6.16.


As Escrituras afirmam de forma incisiva que Deus só pode ser visto de forma perfeita e compreensível na sua encarnação: “[...] nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser.” Hb.1.3.

De modo lógico, vendo Estevão a glória de Deus e sendo ela emanada do próprio Jesus, deduze-se que o que Estevam viu foi O Senhor Jesus em toda sua glória Divinal, agora não mais o cordeiro do sacrifício, mas o leão do julgamento, Ap.5.5; não mais como homem e sim como Deus.

A Destra explicada.

“O qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes.” I Pe 3.22. O texto de Pedro fortalece a ideia de Jesus como o Deus dos Judeus que se fez homem. O apóstolo como bom judeu era unicista, e sabia claramente que unir Jesus a Dividade era pô-lo como o representante humano dela. Afirmar nesse contexto que Jesus está a "destra" significava afirmar que Jesus tinha todo o poder e autoridade de Deus, por conseguinte ele era Deus, pois na teologia judaica não há lugar para um outro que não o Deus dos Israelitas: “Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há Deus.” Is. 44.6. “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim.” Is.46.9.

Há ainda uma afirmação Bíblica que ratifica a ideia da destra como o símbolo do poder Divino: "Viu que não havia ajudador algum e maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve." Is. 59.16 Parece, portanto, que a discrição de Jesus à direita de Deus significa que Jesus é o poder salvador de Deus. Esse conceito está de acordo com a associação da posição de Jesus à direita de Deus e seu papel mediador, particularmente sua obra como intercessor dos homens e sumo sacerdote Rm. 8.34; Hb 8.1.


Assentado à destra



Não se pode deixar de atentar para outro termo bíblico, o qual por vezes é apresentado nas Santas Escrituras: "Assentado" à destra de Deus, Hb 10.12, em vez de simplesmente dizer que ele está à destra de Deus como lê-se em Rm 8.34. Tal fraseado, parece indicar, que em determinada época, Jesus o homem recebeu toda glória, autoridade e poder. Isso se deu de fato por ocasião da sua ressurreição, sua ascensão e recebimento pelos anjos no céu, como profeticamente exulta o salmista: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória. Quem é o Rei da Glória? O SENHOR, forte e poderoso, o SENHOR, poderoso nas batalhas. Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória. Quem é esse Rei da Glória? O SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória”. Sl. 24.7-10.


No momento em que é recebido nos céus e glorificado pelos anjos, Jesus “assenta-se”. Esse termo, primeiro fala da sua posição de monarca Divino, liberto a partir daí de todas as limitações e impossibilidades que o corpo mortal lhe impunha. Foi não o Jesus frágil, sujeito as intempéries do mundo que Estevam viu, mas o Jesus Senhor, que já findou o seu ministério terreno de sacerdote e cordeiro de Deus.


O "Assentou-se" aponta em um segundo momento para o fim da obra sacrificial, essa obra não tem paralelo e foi completamente consumada. "Depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas”. Hb1.3. È importante ressaltar nesses dias em que a Igreja tem retornado as práticas judaizantes, que todas elas já foram levadas à cabo pelo Senhor: “Ora, todos sacerdotes se apresentam dia após dia a exercer o serviço sagrado e a oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios... Jesus, porém tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés”. Hb 10:11-13.


Está aclarado assim que o mártir Estevam viu Jesus em glória. O profeta messiânico Isaías referindo-se a cristo diz: "A glória do SENHOR se manifestará, e toda a carne a verá". Is. 45.10. Cristo é a glória de Deus expressa. Estevão contemplou a glória de Deus, quando contemplou Jesus. O grande herói da fé viu Jesus em glória, com todo o poder e autoridade de Deus. Por isso ele rendeu o seu espírito a Jesus, o qual ele sabia ser o seu Deus. At. 7.59.
Pr. Wanderley Nunes.


1 Zuck,Roy B. A interpretação Bíblica, Ed. Vida Nova, 1994- São paulo,SP . P. 19,20.
2Referindo-se ao texto de Atos. 7.55,56.
3Rusconi,Carlo. Dicionário do Grego do novo Testamento,Ed. Paulus, 2003,São Paulo,SP. P 136.